Estradas cortadas, escolas fechadas e transporte de doentes em viaturas todo-o-terreno. Concelho esteve ontem literalmente separado do resto do país
O concelho da Pampilhosa da Serra esteve ontem completamente isolado devido à queda de neve que se fez sentir entre domingo e segunda-feira. A situação chegou a ser preocupante, com a autarquia a ver-se mesmo obrigada a solicitar meios aéreos para responder a uma eventual situação de emergência.
«Estivemos completamente isolados até ao meio dia», disse ontem o presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, sublinhando que todas as estradas do concelho – nacionais e municipais – chegaram a estar «sem possibilidade de utilização».
Serviços da autarquia e das Estradas de Portugal desdobraram-se em esforços para reabrir algumas das vias, em especial a de ligação a Coimbra e ao hospital central. A preocupação do presidente da autarquia foi mesmo essa: garantir que o socorro chegaria às populações em caso de necessidade. José Brito Dias solicitou, por isso, junto do Governo Civil de Coimbra e do Comando Distrital de Operações de Socorro um helicóptero, que foi disponibilizado mas não chegou a ser utilizado. O GIPS (Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro), informou ainda o autarca, garantiu o transporte a Coimbra, em viaturas de todo-o-terreno, dos quatro munícipes que necessitavam de hemodiálise. Também os serviços da Câmara e das juntas recorreram às viaturas todo-o-terreno para fazer chegar a alimentação às pessoas com apoio domiciliário.
As escolas do concelho também foram obrigadas a fechar portas, prevendo-se a sua reabertura no dia de hoje, mas apenas, e segundo o presidente da autarquia, se estiverem reunidas as condições para a circulação dos transportes escolares.
Populações retidas em casa
Ontem ao final da tarde, havia ainda povoações isoladas, apesar dos esforços dos serviços municipais para reabrir as vias. «Nós continuamos a trabalhar dentro do concelho. São centenas de quilómetros de estrada e muitas povoações isoladas», relatava, ao Diário de Coimbra, o autarca que, sem números exactos, apontava para cerca de 20 aldeias sem possibilidade de circulação ao final do dia. As freguesias mais atingidas foram as mais altas do concelho, nomeadamente Fajão, Unhais e Cabril.
Mas na verdade, todo o concelho foi afectado. A neve é presença assídua em cada Inverno que passa, mas não com a intensidade que se verificou nos dois últimos dias. Começou a cair domingo à tarde e atingiu o seu ponto alto à 1h00 de segunda-feira. Todo o concelho ficou “pintado” de branco, até a sede – Pampilhosa da Serra – localizada num ponto mais baixo, chegou a ter, segundo Brito Dias, «20 a 30 centímetros de altura de neve».
Temperaturas baixas – negativas durante a noite e a rondar os dois graus durante a tarde – e ausência de chuva impediram que a neve derretesse. Todas as ligações à Pampilhosa estiveram cortadas até às 12h00 de ontem. Os esforços de limpeza concentraram-se na EN112, no sentido de garantir o acesso a Coimbra, o que foi conseguido por volta do meio-dia, com a abertura de uma faixa «em condições de ser utilizada mas com muitas precauções», alertou o autarca.
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro dava conta da reabertura, ao princípio da tarde, da EN112, entre Góis e Pampilhosa da Serra (que dá acesso a Coimbra), enquanto que a circulação na EN344, que liga Pampilhosa da Serra a Pedrógão Grande e ao IC8 e Lisboa fazia-se de forma condicionada. Também a circulação na EN112, de Pampilhosa a Castelo Branco estava a ser feita com grande dificuldade.
O Instituto de Meteorologia prevê para hoje e amanhã uma subida da temperatura (de três para nove graus de mínima no distrito de Coimbra, muito embora em Pampilhosa as temperaturas sejam mais baixas), e chuva, mas em Pampilhosa da Serra havia ontem poucas esperanças de melhoria significativa. Ao final da tarde, os serviços municipais continuavam a espalhar sal pelas vias ao mesmo tempo que se começava a sentir cada vez mais frio. «Com a noite forma-se o gelo», alertava o presidente da autarquia, que esperava, contudo, o regresso à “normalidade” durante o dia de hoje.
In, Diário de Coimbra

